quinta, 31 de julho de 2014

Paris: o que eu vi (e comprei) por lá

12 Comentários

Era exigência do Sr. Namorado que passássemos pelo menos um dia em Paris, já que era o caminho de volta e não é todo dia que se gasta rios de dinheiro em uma passagem para a Europa. Então, depois dos maravilhosos dias que passamos na Polônia, nossa viagem seguiu destino até a Cidade Luz.
Confesso: eu estava com mais medo da França do que da Polônia. Afinal, os boatos são de que só se fala uma língua em Paris e é francês. Se você só sabe inglês, terá problemas. Os franceses podem até ser fluentes em inglês, mas vão te detestar se você não souber francês. Todo esse jazz.
Infelizmente, eu sofri isso onde fui, visitei e comi. Não posso dizer que toda a França é assim, né, não vamos generalizar. Mas recebemos muitas caras feias de franceses com um simples “Parlez-vous anglais?”. Pobre do Sr. Namorado que foi sumariamente ignorado na fila da padaria quando soltou a frase. Sério, a atendente respondeu um sonoro “no” e seguiu pro próximo cliente, sem hesitar.

paris_torre
Também não foram absolutamente todos os franceses com aversão à língua inglesa: fomos muito bem atendidos na Catedral Notre Dame, no restaurante que jantamos e na loja de bagels deliciosa.
Claro que não podíamos deixar de visitar pontos turísticos e, óbvio, a Ladurée, na Champs-Elysées. Não me lembro os nomes do que comi por lá, mas tudo parece tão bom que é injusto sugerir um ou outro. Comam tudo que couber na barriga. Aproveitem os chás da Ladurée também, que são deliciosos.

laduree_docesTem os macarons da Ladurée, famosos! São bons mesmo.
Em parte do planejamento turístico do Sr. Namorado, entraram algumas lojas de confeitaria, apesar de estarmos completamente duros de grana, já que uma simples água em Paris é um absurdo de cara.
Fomos a pé do apartamento do Airbnb que nos hospedamos até a Mora, porém no meio do caminho encontramos a La Bovida. É uma loja bem na ponta, com portal verde, muito atraente. Tem dois andares até onde eu vi e uma infinidade de coisas pra te distrair por horas. Como o dinheiro era limitado e o espaço na mala também, eu saí de lá apenas com o confeito que sorteei no blog, uma fôrma de madeleines e pesos para torta. Foi até bom não gastar muito ali, porque logo virando a esquina você chega na Mora, onde os utensílios em geral são levemente mais baratos (coisa de 2 euros, mas multiplique sempre por 3,40 e vira um descontão).
Já na Mora, você encontra coisas menos rebuscadas, mas com mais variedade. Tem um monte de bicos de confeitar e essências de todos os sabores. Cortadores de vários formatos e fôrmas de bolo de todos os tamanhos. De lá, levei só uma essência de coca cola! O problema são os vendedores, que parecem estar fazendo um favor ao te atender, especialmente se você não falar francês.
Bem do lado da La Bovida, tem a Le Comptoir de la Gastronomie, que é um mercadinho gourmet, lanchonete e restaurante, ou algo assim. O Sr. Namorado estava com fome e os sanduíches pareciam ótimos. Enquanto aguardávamos, pude ouvir uma guia explicando para um casal americano que ali vendia o melhor foie gras e caviar de Paris. Será mesmo? Só sei que ficavam lacrados com cadeado e o precinho era de uns 500 euros por um potinho de 100g. De qualquer maneira, vale pelo sanduíche e pelos ingredientes salgados, como queijos e cogumelos, disponíveis pra vender.
Saindo da rua da Mora e da La Bovida, voltávamos pro apartamento quando demos de cara com a G. Detou. Ela não estava no roteiro, mas gente, sério, não deixem de ir. Ela não tem utensílios, o foco é em ingredientes. Mas não custa nada abastecer com algumas coisinhas. Comprei extratos de baunilha concentrados e fiquei muito triste por não ter mais dinheiro ou espaço, porque lá tem chocolates, cacau, favas de baunilha de mil lugares, compotas, geleias, açúcar mascavo, tudo. É uma loja bem pequena e estava muito lotada, mas os vendedores eram muito mais amigáveis que na Mora.

lojas_mora_bovida_detouCréditos das fotos:Little French Bakery/The Long Term Tourists/Pix’elles Cuisinent

Imagino que devem existir outras lojas de confeitaria pela cidade, talvez até melhores, mas essas coincidentemente estavam todas juntas, bem pertinho de onde ficamos, o que parecia destino.
Segue a listinha de endereços certinhos pra ninguém se perder por lá. A dica é saltar na estação Sentier ou Réaumur-Sébastopol, que ficam perto das ruas dessas lojas, e ir a pé. Não leva mais que 5 minutos das estações até lá.

Mora – 13, Rue Montmartre
La Bovida – 36, Rue Montmartre
Le Comptoir de la Gastronomie – 34, Rue Montmartre
G. Detou – 58, Rue Tiquetonne

  1. 31 de julho de 2014 - 09:53

    Ju,
    Ainda não fui à Paris, mas o mesmo problema aconteceu em Bruxelas: meu inglês era ignorado e como estava com uma pessoa que falava francês, fui socorrida em alguns restaurantes e bares.
    Você provou alguma coisa da St Paul? Amei aquela boulangerie! O macaron de Speculous Pasta é divino, quando voltar prove!

    Beijos

    • 14 de agosto de 2014 - 00:29

      Aline, minha passagem por lá foi tão rápida que não vi nada disso. Vou anotar pra próxima, se houver! :)

  2. Lay
    31 de julho de 2014 - 11:00

    Ju, felizmente você é super cabeça e não ficou com a idéia fixa de que todo francês é desagradável… franceses por si só já são nacionalistas ao extremo e parisienses tem uma péééééééésima reputação, mesmo aqui na França. Eles são stressados por natureza e não fazem a menor questão de entender ninguém e nem tampouco de serem simpáticos. Para amenizar, uma dica é sempre abordar dessa forma: “Bonjour madame/monsieur, je ne parle parle pas français, pouvez vous me parler en anglais, s’il vous plait?”

    Pra qm for visitar Paris no verão e tá afim de um sorvete maravilhoso, vale uma passada na Raimo ou na Amorino. A Raimo foi a primeira sorveteria de Paris, por isso é mais tradicional.

    Para quem gosta de docerias, visitar Paris sem passar na Pierre Hermé ou na Jean Paul Hévin é um verdadeiro sacrilégio. Bem verdade que é tudo à peso de ouro, mas, vale conferir pelo menos uma vez. O risco apenas é ficar exigente demais depois desse “réveil des sens et papilles”. rsrsrs :)

    Boa viagem pra qm vem!

    • 14 de agosto de 2014 - 00:32

      Lay, tenho certeza que não são todos os franceses mal humorados com turistas, mas também entendo os que são porque deve ser bem chato lidar com turista todos os dias da sua vida, e sempre pedindo pra falar inglês, né? Hahahahaha. Beijos! :)

  3. Natália
    31 de julho de 2014 - 20:09

    Assim q chegamos na França uma atendente de lanchonete nos questionou pq aprendemos inglês e não francês. Mas dois dias depois aprendi a dizer q não falava francês, era brasileira e se poderia falar em inglês. Ficaram menos resistentes! Mas estar na França era tão mágico q td isso ficou em segundo plano..

  4. Maitê
    31 de julho de 2014 - 22:01

    Uma viagem a Europa sem incluir Paris não parece mesmo um roteiro completo! Fui uma vez e me encantei! Já tinha um roteiro de tudo que não fiz e precisaria fazer numa segunda vez, vou incluir suas sugestões com certeza! (5 dias serão poucos!)
    E os macarons da Ladurée são divinos! Ai, que vontade!

    Ju, preciso te agradecer por me apresentar o cacau em pó, chocolate do padre nunca mais! ;) mudou a minha vida!

    • 14 de agosto de 2014 - 00:35

      Maitê, que bom que trocou pra cacau! É uma delícia, né?!

  5. 01 de agosto de 2014 - 15:46

    Tirando os problemas, viajar e conhecer novos lugares é incrível.

  6. 02 de agosto de 2014 - 11:30

    Oi Juliana, estou sempre acompanhando o seu site e já o recomendei para muitos amigos que apreciaram os meus cupcakes, que você me ensinou a fazer.
    Eu amo de paixão macarons, e estou querendo me aventurar em fazê-los. Sei que não é fácil, mas como adoro um desafio na cozinha, estou disposta a tentar.
    Você já fez? Tem alguma dica incrível? Se sim, poderia fazer um post para nós.
    Adoro o seu jeito de publicar o seu trabalho. Toda semana visito o site para saber as novidades.
    Parabéns pelo seu trabalho e fotos.
    Abs
    Ana Paula

    • 14 de agosto de 2014 - 00:40

      Ana, já fiz, mas não peguei o ponto certo ainda. Eles sempre ficam esquisitos no final. Quando finalmente uma receita minha der certo, vou colocar no blog! :)

  7. Ana Clara
    02 de agosto de 2014 - 19:50

    Ju, acho que a dica é falar em francês que vc não sabe falar francês, pedir desculpas e perguntar se podem falar em inglês. Fiz isso nas minhas duas viagens a Paris e sempre fui bem tratada! Boa sorte na próxima viagem!

    • 14 de agosto de 2014 - 00:41

      Ana, tenho que aprender essa frase inteira em francês, hahahaa. Só deu tempo de aprender o “você fala inglês?”. Beijos!

Ju Morgado

Sou uma jornalista com mais paixões do que o tempo me permite cultivar. Descobri na cozinha meu paraíso, meu refúgio depois de um dia cansativo ou estressante. É quase um vício, realmente. Não apenas cupcakes, mas qualquer coisa que eu ache interessante, desafiante ou divertido de fazer. Apesar do nome do blog, não é só de cupcakes que eu vivo. Amo fazer risotos, de todos os sabores, e simplesmente amo qualquer receita que envolva qualquer tipo de queijo.

A história do Cupcakeando

Não sei bem quando ou porquê eu comecei a me interessar por cozinhar. A lembrança mais antiga que tenho é de minha mãe me puxando para a cozinha, para me ensinar a fazer arroz branco, comum, e o molho de macarrão com tomates frescos que só ela sabe temperar.
Tudo que eu sei de cozinha aprendi de um jeito: prática. Minhas receitas são criadas da minha cabeça e implementadas dos meus testes ou então milimetricamente medidas de fontes confiáveis.
Tenho uma verdadeira paixão por cupcakes, pois acho que eles reúnem o que há de melhor na cozinha: manteiga, açúcar, fofurice, capricho e criatividade. Tudo na medida certa para uma pessoa saborear. Gosto de tentar coisas novas com esses pequenos e descobrir jeitos diferentes de decorá-los. Quando não estou fazendo nada, começo a pesquisar e estudar receitas, teorias e decorações de cupcakes. É, isso mesmo, estudar.
O blog também é uma maneira de praticar minha segunda paixão: fotografia. Sou daquelas que, enquanto passeia pelo parque, começa a achar ângulos de fotos que ficariam maravilhosas. Assim como eu estudo gastronomia e culinária, sento para ler sites e livros enormes sobre fotografia.

O gerúndio

Não fale mal dele antes de conhecê-lo melhor. Já ouvi por aí dizerem que jornalista jamais, sob nenhuma circunstância, pode usar o gerúndio. A justificativa fez sentido: “você usa o gerúndio quando não quer dar nenhuma previsão de término para sua a ação”, o que, no jornalismo, é basicamente como deixar o leitor esperando para sempre por aquela obra sanitária que o governo prometeu.
Mas foi exatamente a mesma explicação que me convenceu a usar o gerúndio para o nome do blog: eu não tenho previsão de fim para minha produção de cupcakes, jamais pretendo parar de fazê-los ou de cozinhar em geral. Se não tiver mais encomendas, será para amigos. Se meus amigos enjoarem, será para minha família. Quando minha família me dizer “CHEGA”, será para mim mesma (e talvez meu corgi. Eu tinha uma husky siberiana linda, que infelizmente se foi, mas vai estar sempre na minha memória). Porque é o que eu amo fazer e o que me deixa feliz.

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