segunda, 12 de novembro de 2012
Faça em Casa: Purê de abóbora

Essa época tem algumas vantagens: aproveitei a temporada de abóboras usadas em decoração de festas de Halloween. Em uma delas, tinham essas duas abóboras enormes e lindas – pareciam aquelas de plástico para enfeitar a churrasqueira de casa – esperando para virarem alguma coisa.
Pelas marquinhas na lateral, meus amigos tentaram fazer um rosto em cada uma, mas a ideia não deu certo. Acabaram recortando abóboras em cartolinas laranjas. Então, fiquei paquerando as de verdade durante toda a festa. Elas também me queriam, eu senti isso, elas queriam virar um prato bem gostoso. Pedi à dona da casa para levar embora, com a promessa de o que quer que viesse da fruta, ela provaria.


Como queria aproveitar o máximo possível, resolvi fazer purê de abóbora. Percebi que várias receitas começam com ele, talvez por ser mais prático para americanos e europeus. Mas como aqui no Brasil não se vende purê de abóbora enlatada, fui fazer experimentos na cozinha.

Purê de abóbora
Rende: 2 1/2 xícaras de purê, com uma abóbora de 30cm de altura

1 abóbora, do campo, moranga ou japonesa (a que você preferir)

1 – Lave bem a abóbora inteira. Seque com um pano e saque sua melhor faca de cozinha. Corte lateralmente a parte de cima, retirando o cabo. Corte em quartos. Não é preciso tirar a casca ainda, faremos isso mais pra frente.
2 – Ligue seu forno em 180˚C, para ir pré-aquecendo.
3 – Comece a retirar as sementes das abóboras com a ajuda de uma colher. O jeito é raspar mesmo. Se algumas ficarem presas, corte com a faca.


4 – Cubra uma fôrma de assar bolo com papel manteiga e posicione os pedaços da abóbora com a casca para baixo. Leve ao forno por 40 minutos ou até que ela esteja macia. Espete um garfo para saber: se entrar facilmente, está ótima.
5 – Retire e espere esfriar por uns 15 minutos (eu programei meu forno para 45 minutos e fui jantar. Quando voltei, o forno havia desligado no tempo certo e ela estava morna).
6 – Quando puder segurá-las, retire as cascas com a ajuda de uma faca serrilhada. Elas terão amolecido e sairão facilmente.
7 – Corte em pedaços menores e coloque em um multiprocessador ou liquidificador. Pulse até que tudo vire um purê.
8 – Prepare uma tigela pequena com um pano de cozinha limpo por cima. Derrame todo o purê em cima do pano. Torça para fechar e aperte bem. Retire todo o líquido que você conseguir, tomando cuidado para não levar junto o próprio purê. Jogue a água que sair fora.

Você pode usar imediatamente em qualquer receita que peça purê de abóbora. Você também pode colocar açúcar e comer puro mesmo. Caso não vá usar agora, guarde em um pote bem lacrado na geladeira ou em sacos ziplocs, como eu fiz. O purê dura duas semanas na geladeira ou até 7 meses no congelador.


Lembre-se que cada purê terá um sabor diferente dependendo do tipo da abóbora que você usar. É importante fazer o último passo para retirar o suco da abóbora, pois muito líquido em confeitaria pode desequilibrar a receita e estragar o resultado final.
Claro que esse purê, além de virar um risoto aqui em casa, vai se transformar em cupcake essa semana. Aguarde a receita!

O que sobrou da sua festa de Halloween?

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segunda, 13 de agosto de 2012
Faça em Casa: Extrato de Baunilha

Favas de baunilha são um dos ingredientes com preços absurdos no Brasil. Já achei duas à venda por 17 reais e quase me desfiz em lágrimas no caixa. Como assim, moço, duas minúsculas favas por quase 20 reais? Como você se atreve? A lógica é a seguinte: se é exótico, podemos cobrar o preço que bem entendermos.
O que encontramos nos supermercados, geralmente, é uma essência de baunilha, que não deve ser confundida com o extrato. A essência é uma simulação química do sabor da baunilha. Claro, encontrando uma de boa qualidade (Dr. Oetker é maravilhosa), sua receita fica igualmente gostosa. Porém, o extrato é o ideal, por usar baunilha de verdade. Então que tal fazer o seu, em casa?
As vantagens de ter um extrato caseiro podem parecer um luxo, mas quando você prima pela qualidade das receitas, vale muito a pena. Não importa se é para vender ou para sua família, você quer o melhor do melhor, não é? Seu extrato de baunilha caseiro não terá conservantes, será mais gostoso, com mais sabor e você ainda pode reutilizar suas favas depois.

Minha garrafinha!
A baunilha é uma orquídea cujas vagens são colhidas, assadas, curadas – um processo que envolve mantê-las úmidas por dias – e enfim expostas ao sol até que percam, pelo menos 80% de água. Todo esse trabalho leva meses, desde a plantação até chegarem ao mercado, e é por isso que favas de baunilha são caras para nós.
A maioria das favas que conhecemos são originárias dos arredores do Oceano Índico, das ilhas de Reunião, Madagascar e Comores. Elas são chamadas de Bourbon. Outras favas podem vir do México, Tahiti ou Indonésia.

Extrato de baunilha caseiro

1 garrafa vazia (usei uma de azeite lavada com água quente e detergente)
300ml de vodca, que não precisa ser de excelente qualidade
3 a 5 favas de baunilha

1 – Primeiro, uma aula de anatomia de uma fava: um lápis maleável com um gancho na ponta. Para cortar ao meio no sentido do comprimento, basta posicionar a ponta de uma faca bem afiada logo abaixo do ganchinho, segurá-lo e percorrer até o final. Esse vídeo demonstra muito bem como fazer.

Passo a passo
Se precisar das sementes, raspe com a faca ou uma colher a parte interna de cada metade, do começo ao fim. Mas, para o extrato, deixe-as onde estão.
2 – Coloque as favas na garrafa vazia. Se achar melhor, corte-as ao meio no sentido da largura, para que fiquem completamente submersas.
3 – A seguir, despeje a vodca.

Guarde a garrafa em um local fresco, longe do sol, por pelo menos 6 semanas antes de usar. Balance – pode sacudir mesmo! – a garrafa a cada dois dias. Minha dica é deixar no seu quarto ou em algum lugar que você sempre está, para não esquecer o extrato por aí.
Quanto mais tempo as favas ficarem em solução no álcool, menos cheiro de vodca terá e mais concentrado vai ser o resultado final. Você pode dividir o extrato em outras garrafas, encher novamente de vodca e colocar novas favas. Enquanto você usa o primeiro, é o tempo necessário para o segundo ficar pronto. Bom, né?
As favas usadas, acredite, ainda têm muita baunilha para nos oferecer. É só lavar com cuidado, secar com um papel toalha, jogar dentro do seu pote de açúcar e depois de um tempo você terá um lindo açúcar de baunilha para o seu café.

Já ficou assustado com o preço de coisas que parecem tão simples no supermercado?

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