quinta, 09 de janeiro de 2014

Mini alfajores, para derreter no verão argentino

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Eu não sou dessas pessoas que viaja e fica morrendo de saudades de casa, da cama, do banheiro, etc. Quando eu viajo, fico tão imersa na situação e na cultura, que voltar pra casa é quase um martírio. Mas nesse réveillon, eu sonhava com minha Brasília. Ou pelo menos com o clima dela – e olha que nem é tão interessante assim. Porém, Buenos Aires estava quente como o inferno.
Muito quente, pessoal. Tão quente que eu não sei nem como explicar direito. Quente como o Rio de Janeiro, mas sem os ventos da praia. Abafado, mas sem chuva. Buenos Aires virou uma pequena ilha de calor insuportável. Quando eu e o Sr. Namorado compramos as passagens, não fazíamos ideia do que era o calor argentino. Alguns blogs de viagem nos alertaram que seria quente, mas nada nos preparou para aquilo. De acordo com os nossos taxistas, nunca houve um verão tão quente na cidade.

mini_alfajor2Que dó eu tive de alfajores e barras de chocolate Milka nos maxikioscos da cidade.

Aproveitamos a cidade do jeito que deu, porque caminhar demais era assustador naquele sol. Como já dei dicas de onde comprar coisas de confeitaria em Buenos aqui no blog, nesse post resolvi indicar meus três lugares favoritos na cidade para fugir do calor em um ar condicionado gostoso.

Sorveteria Tufic – na esquina da calle Guatemala e calle Armenia, em Palermo Soho.
Uma delícia de sorvete depois de uma caminhada pelo que eu elegi como o bairro mais charmoso de Buenos Aires. O lugar tem os sabores clássicos e outros bem diferentes, como tiramisu (Sr. Namorado amou) e mandarina. Além disso, você paga míseros 10 reais por duas bolas e o cara faz uma obra de arte de 15 centímetros no seu copinho. Os sorvetes são cremosos e deliciosos.

Lattente – na calle Thames, número 1891, também em Palermo Soho.
Pra tomar um café da manhã ou pra um cafezinho depois do sorvete, vá pro Lattente. De acordo com o Sr. Namorado, um entendido em café, foi o melhor ristretto da vida dele. Eu encontrei um verdadeiro mocaccino, no qual você realmente sente o sabor de todos os ingredientes e nenhum fica acima do outro. Queríamos voltar todos os dias, quase como Starbucks.

Sucre – na calle Sucre, número 676, em Belgrano.
Na posição 29 dos 50 melhores restaurantes da América Latina, aqui eu encontrei o melhor prato que já comi na minha vida inteira. É um restaurante de “alta cozinha”, mas eu e o Sr. Namorado achamos o preço incrivelmente comum para um restaurante que figura na mesma lista que D.O.M. e Astrid y Gastón. Comemos duas entradas, dois pratos principais, uma sobremesa, um drink e três águas, totalizando 750 pesos. Algo em torno de 200 reais. Repetimos outro dia, só por uma entrada e meu prato favorito, e ficou menos de 100 reais. Em Brasília, por 200 reais, você e seu acompanhante jantam em um lugar qualquer, com atendimento mediano, de um chef famosinho por aqui que tem a cara de pau de repetir a mesma receita de arroz com creme de leite de caixinha em 5 restaurantes que levam seu nome na cidade. Por essas e outras, Sucre vale cada centavo. Infelizmente, é um menu conceitual, o que significa que meu prato favorito deverá ser removido em alguns meses. :(

Meu dia porteño perfeito começa no Lattente, passa pelo Tufic e depois termina no Sucre. Obrigada Buenos, gosto cada vez mais de você.

Mini alfajores
Rende: 70 mini alfajores
Receita da Sam, no Fofurices, com adaptações.

1 xícara de açúcar
1 colher de sopa de extrato de baunilha
1/2 colher de chá de fermento em pó
1 3/4 xícaras de farinha
2 xícaras de amido de milho (maisena)
200g de manteiga sem sal, gelada e picada em cubos
4 gemas peneiradas

1 – Em uma tigela grande, peneire farinha, maisena, fermento e açúcar, misturando bem para que fique uniforme. Depois, acrescente a manteiga gelada em cubos e agregue aos secos. Existe um utensílio próprio para isso, mas você pode usar a ponta dos dedos, desde que não derreta a manteiga – ou seja, faça rapidamente! Se quiser, também vale usar um multiprocessador, processando até chegar à consistência de uma farofa.
2 – Acrescente as gemas e o extrato. Amasse até obter uma massa lisa. Aqui, eu dividi em duas partes, porque fiz mini alfajores e ia levar muito tempo no forno. Faça um retângulo com espessura de uns 5 centímetros e enrole a massa em papel plástico, retirando todo o ar. Leve à geladeira por uns 40 minutos.
3 – Em seguida, unte as formas que você irá assar ou cubra com papel manteiga (eu prefiro assim). Ligue seu forno em 180°C. Vamos abrir a massa em 0,5 centímetros de espessura, ou o tanto que você preferir. Se quiser um alfajor mais crocante, abra mais fino.
4 – Para abri-la, eu prefiro fazer entre duas folhas de papel manteiga. Primeiro porque não faz sujeira com farinha polvilhando a mesa e segundo porque evita que você resseque a massa, acrescentando farinha demais. Depois de abrir, eu cortei em círculos de 4,5 centímetros de diâmetro – mini alfajores – mas você pode cortar em círculos de 7 centímetros, que é mais ou menos o tamanho padrão dos alfajores pelo mundo.
5 – Coloque os círculos nas formas e leve para assar no forno já bem quente. Se forem minis, asse por 9 minutos, se quiser um alfajor mais delicado ou por 12 se quiser mais crocante. Se forem tamanho grande, uns 15 minutinhos está bom. Quando prontos, retire do forno e deixe esfriar numa gradinha.

Montagem
500g de doce de leite firme
1 kg de chocolate para banhar (você pode temperar ou usar chocolate para cobertura)

1 – Recheie duas metades do biscoito com uma porção de doce de leite. Eu faço numa espessura entre 0,5 e 1 centímetro, pra não ficar enjoado. Pressione as metades entre si, para fixar bem no doce de leite. Faça vários, coloque em um pote e leve para a geladeira enquanto você prepara o chocolate. Eles não podem ficar extremamente gelados, mas o resfriamento ajuda o chocolate a endurecer novamente.
2 – Banhe cada alfajor com ajuda de garfos para banhar – ou um garfo de cozinha mesmo – e deixe endurecerem em folhas de papel manteiga. Depois embrulhe e dê de presente, ou coma vários seguidos, como eu e minhas amigas fizemos.

mini_alfajor
Só pra ficar mais argentino, use doce de leite das terras porteñas. La Salamandra é muito bom e o da Havanna também. Pena que só achamos por lá, um numa Dutyfree no aeroporto.

Já viajou para Buenos Aires? Como foi? Dê dicas aqui embaixo pra ajudar quem for por lá!

Ju Morgado

Sou uma jornalista com mais paixões do que o tempo me permite cultivar. Descobri na cozinha meu paraíso, meu refúgio depois de um dia cansativo ou estressante. É quase um vício, realmente. Não apenas cupcakes, mas qualquer coisa que eu ache interessante, desafiante ou divertido de fazer. Apesar do nome do blog, não é só de cupcakes que eu vivo. Amo fazer risotos, de todos os sabores, e simplesmente amo qualquer receita que envolva qualquer tipo de queijo.

A história do Cupcakeando

Não sei bem quando ou porquê eu comecei a me interessar por cozinhar. A lembrança mais antiga que tenho é de minha mãe me puxando para a cozinha, para me ensinar a fazer arroz branco, comum, e o molho de macarrão com tomates frescos que só ela sabe temperar.
Tudo que eu sei de cozinha aprendi de um jeito: prática. Minhas receitas são criadas da minha cabeça e implementadas dos meus testes ou então milimetricamente medidas de fontes confiáveis.
Tenho uma verdadeira paixão por cupcakes, pois acho que eles reúnem o que há de melhor na cozinha: manteiga, açúcar, fofurice, capricho e criatividade. Tudo na medida certa para uma pessoa saborear. Gosto de tentar coisas novas com esses pequenos e descobrir jeitos diferentes de decorá-los. Quando não estou fazendo nada, começo a pesquisar e estudar receitas, teorias e decorações de cupcakes. É, isso mesmo, estudar.
O blog também é uma maneira de praticar minha segunda paixão: fotografia. Sou daquelas que, enquanto passeia pelo parque, começa a achar ângulos de fotos que ficariam maravilhosas. Assim como eu estudo gastronomia e culinária, sento para ler sites e livros enormes sobre fotografia.

O gerúndio

Não fale mal dele antes de conhecê-lo melhor. Já ouvi por aí dizerem que jornalista jamais, sob nenhuma circunstância, pode usar o gerúndio. A justificativa fez sentido: “você usa o gerúndio quando não quer dar nenhuma previsão de término para sua a ação”, o que, no jornalismo, é basicamente como deixar o leitor esperando para sempre por aquela obra sanitária que o governo prometeu.
Mas foi exatamente a mesma explicação que me convenceu a usar o gerúndio para o nome do blog: eu não tenho previsão de fim para minha produção de cupcakes, jamais pretendo parar de fazê-los ou de cozinhar em geral. Se não tiver mais encomendas, será para amigos. Se meus amigos enjoarem, será para minha família. Quando minha família me dizer “CHEGA”, será para mim mesma (e talvez meu corgi. Eu tinha uma husky siberiana linda, que infelizmente se foi, mas vai estar sempre na minha memória). Porque é o que eu amo fazer e o que me deixa feliz.

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