segunda, 19 de fevereiro de 2018

Torta búlgara deliciosa

5 Comentários

Conheci essa torta numa cafeteria que eu gosto muito aqui em Brasília e, desde então, tenho desejado uma fatia dela sempre que possível. Eu nunca tinha escutado falar de torta búlgara até vê-la naquela vitrine.
Decidi pesquisar e fazer em casa, claro, e qual não foi minha surpresa ao descobrir que ela não tem nada de búlgara. É de Salvador, na Bahia, uma receita de família. Me pergunto se pelo menos a família era búlgara ou de descendentes. É mais um caso de esquizofrenia brasileira, juntamente com a torta alemã que nem existe na Alemanha. Porque temos tanto problema em nomear nossas criações com nossos estados e cidades? Parece um preconceito implícito: se colocar que é baiano, ninguém vai querer, mas se colocar que é búlgaro, parece chique e de primeiro mundo, é isso? Que besteira.

Torta búlgara caseira deliciosa, puro chocolate

Torta búlgara caseira deliciosa, puro chocolate
A cultura culinária brasileira é tão rica e tão depreciada ao mesmo tempo. A gente tinha que ter puro orgulho das coisas que criamos, e colocar bem grande: TORTA SOTEROPOLITANA (é o nome de quem mora em Salvador). BOLO BAIANO. Sei lá, algo bem Brasil, e menos “primeiro mundo”.

Torta búlgara caseira deliciosa, puro chocolate
Então vou fazer essa torta pra vocês em vídeo. E só continuarei chamando de búlgara, porque é mais fácil de vocês saberem qual é, e pras buscas do google, hahaha. Por mim, estava chamando de “tortinha baiana incrível”.

Torta búlgara
Rende: um bolo alto de 18cm de diâmetro, fôrma redonda (no vídeo eu fiz metade da receita e ele ficou mais baixinho – quantidades no vídeo são da metade da receita)

150g de cacau em pó
150g de chocolate em pó
200g de manteiga
6 gemas
1 xícara + 4 colheres de sopa (250g) de açúcar refinado

1/2 xícara de creme de leite fresco (35% de gordura)
1 colher de sopa de açúcar impalpável

1 – Ligue seu forno em 180˚C e prepare uma fôrma maior do que a que você vai assar seu bolo para fazer um banho-maria. Em uma panela de fundo grosso, leve em fogo baixo o cacau, o chocolate em pó e a manteiga para derreter e cozinhar. Misture sempre até estar tudo uniforme, e cozinhe por uns 2 minutinhos – isso ajuda o cacau a ficar mais forte e mais escuro.
2 – Retire do fogo e mexa um pouco para cair a temperatura. Acrescente as gemas e misture vigorosamente e imediatamente, para que elas temperem e não virem ovo mexido. Então, adicione o açúcar e misture bem. Vai ficar uma pasta bem dura, uma lama meio difícil de mexer. É normal.
3 – Leve a panela de volta pro fogo baixo e cozinhe por uns 4 minutos, mexendo sem parar. A ideia é derreter o açúcar o máximo possível, e por isso é importante usar o refinado que tem grãos menores. Se ficar o tempo todo na consistência de pasta dura, não está errado. Pelo que vi dessa receita na internet, ela é bem “de lua”. Tem dias que fica molengona, e dias que fica essa pastinha. E em todos eles, está certa no fim das contas. Além disso, pode ser que ela solte um pouco de gordura da manteiga, o que também é normal. Se estiver além da conta de gordura, retire o excesso com uma colher.
4 – Cubra sua fôrma no fundo com papel manteiga para facilitar na hora de deseformar e ela não quebrar. Transfira a massa para a fôrma e espalhe com a ajuda de uma espátula. Continue removendo o excesso de gordura que continuar soltando, se soltar. Coloque dentro da fôrma maior e preencha com água morna até metade da fôrma com a torta. Leve para assar por 30-35 minutos. Não passe disso ou ela pode ficar dura quando sair do forno.
5 – Espere esfriar bastante antes de desenformar, mas retire da fôrma ainda morninho pois facilita. Inclusive, eu prefiro ela servida morninha, então sirva imediatamente, ou então coloque no microondas um pouquinho antes de cobrir com o chantilly – que vamos fazer agora:
6 – Bata o creme de leite fresco BEM GELADO com a colher de sopa de açúcar até virar chantilly. Sério, fácil assim. Sirva uma colherada generosa por cima da fatia da torta e seja feliz.

Torta búlgara caseira deliciosa, puro chocolate
Não tem nada de doce nessa torta. Eu fiz com cacau exatamente para ter o amargo na boca, pra não ficar enjoativo já que ela é MUITO densa. Mas se o amargo é demais pra você, você pode sim trocar toda a quantidade de cacau pelo chocolate em pó – daí use o chocolate em pó 60% pra também não ficar muito doce.

Quais outros doces a gente chama de uma coisa que não tem nada a ver, ou sequer existe no país citado? Tem mais exemplos?

  1. Gilson Daniel
    19 de fevereiro de 2018 - 15:56

    Búlgara? Não dá. Faz-me pensar na Dilma Rousseff e não quero nada que a lembre. RSRSRS

    • 19 de fevereiro de 2018 - 17:24

      O que que búlgara tem a ver com Dilma? hahahaha Acho que você vai se privar de uma delícia por uma bobagem ;)

  2. Tathy Menezes
    19 de fevereiro de 2018 - 18:37

    Outro doce q tem nome importado é a palha italiana, que na verdade foi criada no sul do Brasil.
    Adorei essa torta e vou fazê lá logo mais.
    Beijão!!

  3. Ruth
    20 de fevereiro de 2018 - 23:08

    Hum! Não sabia que essa torta era daqui de Salvador e desconhecida em outros lugares. Pra mim era uma receita internacionalmente conhecida.rsrsrs
    Ju! Como é o seu forno? Qd faço as receitas, o tempo de assar é sempre muito maior do que o descrito.

    • 29 de março de 2018 - 21:27

      Ruth, meu forno é um pouco mais alto do que a temperatura que ele diz que está, por isso sei que tenho que colocar um pontinho a menos para assar na temperatura certa. Mas isso varia, você tem que virar brother do seu forno hahaha

Ju Morgado

Sou uma jornalista com mais paixões do que o tempo me permite cultivar. Descobri na cozinha meu paraíso, meu refúgio depois de um dia cansativo ou estressante. É quase um vício, realmente. Não apenas cupcakes, mas qualquer coisa que eu ache interessante, desafiante ou divertido de fazer. Apesar do nome do blog, não é só de cupcakes que eu vivo. Amo fazer risotos, de todos os sabores, e simplesmente amo qualquer receita que envolva qualquer tipo de queijo.

A história do Cupcakeando

Não sei bem quando ou porquê eu comecei a me interessar por cozinhar. A lembrança mais antiga que tenho é de minha mãe me puxando para a cozinha, para me ensinar a fazer arroz branco, comum, e o molho de macarrão com tomates frescos que só ela sabe temperar.
Tudo que eu sei de cozinha aprendi de um jeito: prática. Minhas receitas são criadas da minha cabeça e implementadas dos meus testes ou então milimetricamente medidas de fontes confiáveis.
Tenho uma verdadeira paixão por cupcakes, pois acho que eles reúnem o que há de melhor na cozinha: manteiga, açúcar, fofurice, capricho e criatividade. Tudo na medida certa para uma pessoa saborear. Gosto de tentar coisas novas com esses pequenos e descobrir jeitos diferentes de decorá-los. Quando não estou fazendo nada, começo a pesquisar e estudar receitas, teorias e decorações de cupcakes. É, isso mesmo, estudar.
O blog também é uma maneira de praticar minha segunda paixão: fotografia. Sou daquelas que, enquanto passeia pelo parque, começa a achar ângulos de fotos que ficariam maravilhosas. Assim como eu estudo gastronomia e culinária, sento para ler sites e livros enormes sobre fotografia.

O gerúndio

Não fale mal dele antes de conhecê-lo melhor. Já ouvi por aí dizerem que jornalista jamais, sob nenhuma circunstância, pode usar o gerúndio. A justificativa fez sentido: “você usa o gerúndio quando não quer dar nenhuma previsão de término para sua a ação”, o que, no jornalismo, é basicamente como deixar o leitor esperando para sempre por aquela obra sanitária que o governo prometeu.
Mas foi exatamente a mesma explicação que me convenceu a usar o gerúndio para o nome do blog: eu não tenho previsão de fim para minha produção de cupcakes, jamais pretendo parar de fazê-los ou de cozinhar em geral. Se não tiver mais encomendas, será para amigos. Se meus amigos enjoarem, será para minha família. Quando minha família me dizer “CHEGA”, será para mim mesma (e talvez meu corgi. Eu tinha uma husky siberiana linda, que infelizmente se foi, mas vai estar sempre na minha memória). Porque é o que eu amo fazer e o que me deixa feliz.

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