sexta, 24 de agosto de 2012

Quiche de alho e brócolis

11 Comentários

Existe um termo em inglês que acho, no mínimo, curioso: quiche-eater, que aqui traduzirei livremente como come-quiche. “Comedor” não soa legal.
Esse termo vem do livro de 1982, de Bruce Feirstein, chamado “Real Men Don’t Eat Quiche”: uma visão bem humorada da década satirizando estereótipos masculinos. A lógica do título é que homens de verdade comeriam uma torta de queijo e brócolis servida pela esposa. Porém, homens de verdade jamais comeriam uma quiche de brócolis, ou sequer a chamariam de quiche – o que é praticamente a mesma coisa que uma torta, só que com o nome em francês. Homens de verdade também nunca tentariam fazer a receita ou lavariam a louça depois.
Parece machista, mas o livro não tem a menor seriedade. Na verdade, ele é uma crítica engraçada ao medo absurdo dos homens de terem seu poder, seus desejos e tradições atropeladas pela avalanche feminista da década de 80.
Acho que o autor do livro usaria como exemplo prático de um quiche-eater o Schmidt, do seriado New Girl. Se eu precisar justificar porque gosto de New Girl, toda vez que Schmidt avisa que vai pegar seu cardigã para sair é o suficiente para rolar de rir.
Então, aí vai uma receita para todos os quiche-eaters que não têm vergonha de afirmar isso em alto e bom tom!

Quiche de alho e brócolis
Rende: 1 quiche de aproximadamente 20cm e 5cm de altura

Massa podre:
Receita original no Epicurous.
1 1/4 xícaras de farinha
1/2 xícara (113g) de manteiga sem sal, gelada, cortada em cubinhos
1/4 de colher de chá de sal
3 a 5 colheres de sopa de água gelada

1 – Em uma tigela, misture farinha, sal e manteiga. O ideal é usar duas facas para mesclar a manteiga com os ingredientes secos. A ponta dos dedos também funciona, mas tome cuidado para não derreter a manteiga. O resultado final é quase como uma farofa, com pedaços de manteiga ainda do tamanho de ervilhas.
2 – Acrescente 3 colheres de sopa de água gelada e misture. O ponto é quando a massa segura sozinha quando espremida. Se ela esfarelar, adicione 1/2 colher de sopa de cada vez até atingir esse resultado.

Esse é o ideal!
3 – Reúna a massa em uma bola e leve à geladeira por pelo menos 1 hora.

Recheio:
Receita original no Epicurous, com adaptações.
250g de brócolis japonês, aquele que parece uma couve-flor
2 dentes de alho
6 ovos
1 1/2 xícaras de leite integral
1/4 de colher de chá de noz moscada
2 xícaras de queijo parmesão
sal e pimenta a gosto

1 – Abra a massa e coloque em uma fôrma. Dobre as sobras para dentro para reforçar as paredes. Com um garfo, fure todo o fundo da massa, para que o ar possa escapar quando assar. Leve à geladeira novamente por 30 minutos.
2 – Coloque papel alumínio em cima da fôrma e encha com feijão. Asse à 190˚C por aproximadamente 20 minutos, até que a massa esteja fixa e as bordas comecem a ficar levemente douradas. Assim que passar o tempo, retire a massa do forno. Remova o papel alumínio e os grãos e devolva a massa para o forno por mais 15 minutos, até que fique completamente dourada.
3 – Enquanto assa, prepare o recheio. Cozinhe os brócolis em água salgada por 4 minutos. Retire, seque levemente e pique os brócolis em tamanhos menores.
4 – Amasse os dentes de alho com um pouco de sal, até conseguir uma pasta.
5 – Em uma tigela grande, bata os ovos e acrescente o leite, alho, noz moscada, 1 1/2 do queijo e o brócolis. Misture bem.
6 – Assim que a massa ficar pronta, retire do forno e então coloque o recheio. Salpique o resto do queijo por cima.


Muito queijo nunca é demais.
7 – Leve para assar por mais ou menos 50 minutos, ou até que o recheio esteja fixo. Teste com um palito no centro. Se preferir mais seco, deixe mais. Espere pelo menos 20 minutos antes de desenformar.

Esfriando… só preciso tomar cuidado com minha husky!
Sabe o melhor do quiche? Você pode mantê-lo na geladeira, por até 3 dias, e quando quiser comer é só tirar sua fatia, esquentar no forninho elétrico e se deliciar!

Dicas:
– No passo 3 da massa podre, você pode fazer a chamada “fraisage”: uma técnica simples para deixar a massa com mais aspecto de folheado, bem leve e gostosa. Ela consiste em esfregar pedaços da massa na superfície e ajuda a espalhar a manteiga sem trabalhar muito o glúten da farinha. Esse vídeo ensina muito bem como fazer.
– O queijo pode ser substituído por uma mistura de parmesão e outro que você prefira, sem problemas!
– Se você tiver um multiprocessador, pode fazer a massa nele. É só colocar os ingredientes e pulsar aos poucos até que a consistência seja igual a mencionada na receita, para então poder trabalhar a massa normalmente.

  1. Adriana
    22 de novembro de 2012 - 19:47

    Parece maravilhoso!!!

  2. Nara Galvão
    21 de dezembro de 2012 - 21:26

    Não entendi a parte do feijão.
    “2 – Coloque papel alumínio em cima da fôrma e encha com feijão. Asse à 190˚C por aproximadamente 20 minutos, até que a massa esteja fixa e as bordas comecem a ficar levemente douradas. Assim que passar o tempo, retire a massa do forno. Remova o papel alumínio e os grãos e devolva a massa para o forno por mais 15 minutos, até que fique completamente dourada.”

    • 21 de dezembro de 2012 - 21:59

      Oi Nara!

      Depois de espalhar a massa na fôrma, você coloca o papel alumínio por cima e enche com feijão. Isso é para fazer peso em cima do centro da casca, e evitar que ela inche, estufe e se quebre no meio. Fica igual essa foto, que tirei do blog Da Minha Cozinha.

      Um beijo!

  3. Evylin
    29 de abril de 2014 - 10:12

    Oi Juliana!!!

    Eu queria saber se posso usar essa massa pra fazer torta de frango e queria saber também se essa massa fica macia e que desmancha na boca…eu estou tentando fazer uma massa podre mas nunca consigo esse resultado…beijos…ps:eu fiz o cupcake de pizza e ficou maravilhosa…parabéns pela receita!!!

    • 30 de maio de 2014 - 14:04

      Evylin, sim, você pode usar pra fazer torta do que quiser. Essa massa desmancha na boca se você seguir o modo de preparo direitinho, especialmente no que concerne a manteiga estar gelada. Se ela amolecer demais com o calor, ela impede a massa de ficar crocante. Beijos!

  4. Evylin Koligoski
    29 de abril de 2014 - 17:28

    Oi Juliana!!!
    Eu queria saber duas coisas…
    Primeiro: essa massa dá pra eu fazer torta de frango??
    Segunda: essa massa fica macia e se desmancha na boca?? Eu jah tentei fazer mas nao obtive esse resultado…

    Beijos ps: eu fiz o cupcake de pizza e ficou maravilhoso!!! Parabens pelo site…é otimo!!

    • 30 de maio de 2014 - 14:08

      Evylin, já te respondi mais acima, eu acho. Beijos!

  5. Ana Paula
    05 de janeiro de 2015 - 11:26

    Delícia… amo quiche, mas ainda não tive coragem de fazer! Uma dúvida: a massa pode ser congelada? Como? Em que momento? Tem alguma dica? Obrigada… Bjs

    • 05 de janeiro de 2015 - 11:32

      Ana, você pode congelar a massa depois de misturada, bem embalada em papel filme, ou também pode assar ela e congelar dentro da fôrma, já pré-pronta, também bem embalada em papel filme. A massa crua dura uns 6 meses no congelador e a pré-pronta dura uns 2 meses no congelador! Beijos!

  6. Marina
    08 de outubro de 2016 - 11:51

    Ju, posso trocar o brócolis no recheio por algo como tomate por exemplo?

    • 10 de outubro de 2016 - 08:51

      Marina, tomate solta bastante água quando assa, então a quiche pode desandar um pouco. Eu faria uma quiche de outra coisa, ou manteria o brócolis, e colocaria um pouco de tomate, já picado e escorrido, pra dar o gosto mas sem transformar em uma quiche de tomate por completo!

Ju Morgado

Sou uma jornalista com mais paixões do que o tempo me permite cultivar. Descobri na cozinha meu paraíso, meu refúgio depois de um dia cansativo ou estressante. É quase um vício, realmente. Não apenas cupcakes, mas qualquer coisa que eu ache interessante, desafiante ou divertido de fazer. Apesar do nome do blog, não é só de cupcakes que eu vivo. Amo fazer risotos, de todos os sabores, e simplesmente amo qualquer receita que envolva qualquer tipo de queijo.

A história do Cupcakeando

Não sei bem quando ou porquê eu comecei a me interessar por cozinhar. A lembrança mais antiga que tenho é de minha mãe me puxando para a cozinha, para me ensinar a fazer arroz branco, comum, e o molho de macarrão com tomates frescos que só ela sabe temperar.
Tudo que eu sei de cozinha aprendi de um jeito: prática. Minhas receitas são criadas da minha cabeça e implementadas dos meus testes ou então milimetricamente medidas de fontes confiáveis.
Tenho uma verdadeira paixão por cupcakes, pois acho que eles reúnem o que há de melhor na cozinha: manteiga, açúcar, fofurice, capricho e criatividade. Tudo na medida certa para uma pessoa saborear. Gosto de tentar coisas novas com esses pequenos e descobrir jeitos diferentes de decorá-los. Quando não estou fazendo nada, começo a pesquisar e estudar receitas, teorias e decorações de cupcakes. É, isso mesmo, estudar.
O blog também é uma maneira de praticar minha segunda paixão: fotografia. Sou daquelas que, enquanto passeia pelo parque, começa a achar ângulos de fotos que ficariam maravilhosas. Assim como eu estudo gastronomia e culinária, sento para ler sites e livros enormes sobre fotografia.

O gerúndio

Não fale mal dele antes de conhecê-lo melhor. Já ouvi por aí dizerem que jornalista jamais, sob nenhuma circunstância, pode usar o gerúndio. A justificativa fez sentido: “você usa o gerúndio quando não quer dar nenhuma previsão de término para sua a ação”, o que, no jornalismo, é basicamente como deixar o leitor esperando para sempre por aquela obra sanitária que o governo prometeu.
Mas foi exatamente a mesma explicação que me convenceu a usar o gerúndio para o nome do blog: eu não tenho previsão de fim para minha produção de cupcakes, jamais pretendo parar de fazê-los ou de cozinhar em geral. Se não tiver mais encomendas, será para amigos. Se meus amigos enjoarem, será para minha família. Quando minha família me dizer “CHEGA”, será para mim mesma (e talvez meu corgi. Eu tinha uma husky siberiana linda, que infelizmente se foi, mas vai estar sempre na minha memória). Porque é o que eu amo fazer e o que me deixa feliz.

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