quarta, 26 de agosto de 2015

Madeleines de limão

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Queria desabafar um pouquinho aqui sobre meu bloqueio pessoal com alguns atores de Hollywood. Esses atores que sempre fazem o mesmo papel, provavelmente porque a indústria os acham tão pouco competentes que acreditam que só dá pra inserir eles em um tipo de personagem. E assim você já sabe que qualquer filme com o estereótipo x tem uma chance de 95% de ter no elenco o Fulano de Tal.
Na minha visão, isso acontece com: Robert Downey Jr., George Clooney, Katherine Heigl e Keira Knightley. Com muitos outros também, mas esses me chamaram atenção nos últimos dias.
Robert Downey Jr. sempre muito provavelmente vai fazer o papel de um cara com morais levemente tortas, piadinhas rápidas e que, no fundo, tem um bom coração. George Clooney está sempre naquele papel de cara mais velho sedutor e sempre arrumam um momento no meio do filme para que ele possa dar um sorriso de canto de boca para seduzir a contraparte. Eu já não sei contar mais quantos filmes a Katherine Heigl fez nos quais ela é uma boboca apaixonadinha e nem quantos longas históricos, que se passam em séculos passados, que a Keira Knightley botou no currículo (sempre fazendo o papel da protagonista irritante que você passa a maior parte do tempo torcendo pra sumir da tela porque os conflitos são todos tão banais que dá vontade de sacudir a TV).

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Eu geralmente nem assisto filmes com esses atores, por puro preconceito, porque acho que vai ser sempre a mesma atuação que eu já vi. Não que seja uma atuação ruim, com exceção da Katherine Heigl, mas é que quando você já viu uma vez, você já viu todas.
Mas selecionando filmes novos para assistir no Popcorn Time, eu cliquei umas cinco vezes no cartaz do O Juiz, com o Robert Downey Jr. E toda vez me surpreendia porque tinha ele, então ia atrás de outro filme. Até que desisti e falei “vamos juntas vencer este preconceito, Juliana”.
O Juiz tem um roteiro bem pouco desenvolvido para os outros personagens e a direção não fez muita coisa. O que é uma pena porque tem a Vera Farmiga e o incrível camaleão Vincent D’Onofrio, muito mal aproveitados. Vale – e aqui eu mordo minha língua – pelas atuações do Downey Jr. e do Robert Duvall. Sim, o Downey começa o filme fazendo exatamente o mesmo papel de sempre. Mas ele evolui, mostra outras nuances (que não posso contar porque tem spoiler) e me prova que sabe atuar. E do lado do Duvall, ele não deixa a bola cair.
Estou aguardando o mesmo de vocês, Clooney, Heigl e Knightley, e de todos os outros que não saem da zona de conforto do personagem-padrão.

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Madeleines são aqueles docinhos que você quer comer vários, um seguido do outro. Assim, mesmo, não dá pra comer dois, ou três. É estatisticamente impossível. Tanto que não faço ideia de quantos renderam exatamente, porque comi vários da primeira fornada, e da segunda e da terceira. Paciência!

Madeleines de limão
Rende: mais de 30, não cheguei a contar enquanto eu comia vários

2 ovos
120g de açúcar
2 colheres de chá de raspas de limão
100g de farinha
3g de fermento
uma pitada de sal (dois dedos)
100g de manteiga, derretida

1 – Em uma tigela, bata os ovos e o açúcar com as raspas até obter uma espuma. Pode bater com a batedeira ou com um fouet, mas talvez com um fouet seu braço canse rapidinho.
2 – Adicione a farinha, previamente peneirada junto com o fermento e o sal. Faça isso aos poucos, batendo até incorporar apenas. Em seguida, acrescente a manteiga já levemente fria. Se estiver muito quente, ela pode cozinhar os ovos.
3 – Se quiser, guarde a massa na geladeira dentro de um saco ziploc durante a noite e asse-os pela manhã. Isso ajuda o sabor a ficar mais concentrado. Quando for assar, pré-aqueça o forno a 220˚C, unte a fôrma de madeleines com manteiga e farinha, preencha apenas 2/3 de cada buraquinho e asse por uns 8 minutos. Ou até ficar levemente dourado, vai depender muito do seu forno, então fique de olho!

Essa massa é uma coisa fantástica não apenas por ser a coisa mais simples de fazer numa cozinha, mas também por causa dessa possibilidade de guardar a massa na geladeira – algo que no fim das contas deixa ela MELHOR. Como pode? Hahaha.

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Dicas:
– Se não tiver a fôrma de madeleines, você pode fazer em forminhas de mini cupcake, preenchendo bem pouco para mantê-los pequenos. Ajuste o tempo no forno desta forma. Eles devem sair levemente dourados, como na foto.
– Se você encontrar água de flores de laranjeiras, coloque 1 colher de sopa na massa. Fica ainda melhor, por incrível que pareça.

Já assistiu O Juiz? Gostou? E o que acha desses atores que citei?

segunda, 17 de agosto de 2015

Cobertura de brigadeiro, revisitada

39 Comentários

Se tem uma cobertura que eu faço sempre, quase toda semana, é de brigadeiro. Faço muito, muito mesmo, seja pra cobrir cupcakes ou pra recheio, ou até pra brigadeiro de colher. Esse é o nível de versatilidade dessa receita pra mim.
Minha especialidade não é brigadeiro, muito menos essas diversas utilizações do nosso doce brasileiro, então considerem este post e esses comentários a minha opinião baseada na minha experiência. Não me responsabilizo por kgs a mais no corpo de ninguém, hihihi.

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Como o faço constantemente, com o tempo fui adaptando a receita que postei pela primeira vez aqui em 2013. Além disso: fui compreendendo cada vez mais como ela funciona, portanto decidi trazer alguns detalhes e mudanças para vocês, que sempre me fazem perguntas lá no post antigo.

– Esse brigadeiro, quando feito na consistência certa para decorar como cobertura, não tem consistência para enrolar. Nem se você colocar na geladeira. Ele amolece e fica todo tortinho na forminha de brigadeiro. No entanto, ele fica ótimo como recheio, assim como cobertura, porque está sempre bem cremoso e maleável. Se você gostar de um brigadeiro mais molenga como recheio, é só acrescentar um pouco mais de leite condensado ou creme de leite depois de pronto.
– Sim, você leva o creme de leite para ferver junto com o leite condensado. Eu nunca, nunca, nunca tive um creme de leite uht (de caixinha) talhando nesta receita. Milagre? Sei lá, mas como nunca tive o problema, continuo fazendo assim.
– Na receita antiga, eu pedia para mexer por quase 50 minutos em fogo baixo. Claro que fazendo essa cobertura tantas vezes, eu rapidamente perdi a paciência de ficar tanto tempo na frente do fogão. Então comecei a fazer em fogo médio. Depois em fogo alto. Porque eu vivo perigosamente. Agora, consigo fazer a cobertura em menos de 20 minutos. Leia a receita pra ver como eu faço.

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– Esse brigadeiro foi eleito pelo Sr. Namorado como a receita assassina. Ele borbulha muito quando está quase pronto na panela e estoura pedaços de brigadeiro pelando de quente pro alto. Isso pode acertar você, seu braço, sua mão ou até seu olho – acredite, já acertou meu olho e o do Sr. Namorado! É perigoso! Eu uso uma luva de cozinha pra mexer quando ele está quase pronto pra evitar mais dores. Ele borbulha assim por causa do creme de leite (acredito que tenha a ver com a quantidade de gordura), então se você fizer a receita sem o creme de leite, não vai ter esse problema – mas não vai ter um brigadeiro liso, flexível, brilhante e sem cristalização.
– Na receita original, tinha leite em pó. Uns dias, eu não tinha em casa, mas fiz sem e não cristalizou. Agora faço quase sempre sem e nunca cristaliza, então deixei como opcional na receita.
– O brigadeiro tem tempos de cozimento diferentes dependendo do que você acrescenta para saborizar. Com chocolate meio amargo, eu costumo cozinhar por 18 minutos seguindo a receita abaixo. Com chocolate branco ou sem chocolate, costuma cozinhar em 15 minutos. Se eu deixo mais que isso, ele fica muito duro quando esfria – no caso do chocolate branco. Ainda estou investigando os motivos dessa diferença, hehehe.
– Se optar por colocar essências ou extratos no brigadeiro, faça depois de retirar do fogo. Senão a essência ou extrato vai evaporar e sumir.

Cobertura de brigadeiro
Rende: cobre +ou- 15 cupcakes com a voltinha clássica

1 lata (395g) de leite condensado
1 caixinha (200g) de creme de leite uht
1 colher de sopa de leite em pó integral (opcional)
1 colher de sopa de manteiga com sal (se usar manteiga sem sal, coloque uma pitada)

Para saborizar
100g de chocolate da sua preferência (meio amargo, amargo, ao leite, branco, de morango, etc)
ou 4 colheres de sopa de cacau em pó
ou 1 1/2 colher de sopa de delipaste
ou 4 colheres de sopa de leite em pó
etc etc, seja feliz e criativo

1 – Em uma panela grande, de fundo grosso, junte todos os ingredientes e mexa com uma espátula, em fogo médio. Quando eu uso chocolate amargo, meio amargo ou ao leite, costume colocar ele antes na panela e derreter em fogo baixo mexendo sem parar. Com o branco, eu misturo tudo mesmo, porque ele não é fácil de derreter e você corre o risco de queimar.
2 – Cozinhe o brigadeiro em fogo alto a princípio, mexendo sem parar com uma espátula. Raspe sempre as laterais e o fundo, especialmente o cantinho da panela. Mexa bastante em fogo alto até o brigadeiro começar a borbulhar nas laterais. Então, diminua para o fogo médio e continue mexendo. Logo ele vai começar a borbulhar loucamente. Se ainda tiver forças, mantenha no fogo médio e continue raspando as paredes e o fundo da panela sempre. Se em algum momento você raspar e vier algum pedaço de queimado junto, então diminua para o fogo baixo – significa que você não está mexendo rápido o suficiente e é melhor cozinhar no fogo baixo do que queimar o doce e perder tudo.
3 – Como eu disse acima, o tempo de cozimento depende da saborização que você colocou. O certo é medir pela consistência mesmo: o brigadeiro deve estar mais firme, brilhoso, e ele cairá da espátula em pedaços, e não em fita ou fio. Veja o vídeo que postei no instagram com um exemplo! Se ainda tiver dúvidas, retire a panela do fogo, pegue um prato limpo e coloque um pouquinho de brigadeiro. Leve para o congelador por um ou dois minutos, depois retire e, com uma colher, puxe o brigadeiro para cima. Se ele manter o biquinho, está no ponto.
4 – Transfira para uma tigela ou prato – não precisa untar! Depois de alguns minutos, só pra esfriar um pouco, cubra com um papel plástico. Deixe esfriar COMPLETAMENTE antes de colocar no saco de confeitar. Eu deixo em temperatura ambiente, mas você pode levar para a geladeira pra acelerar o processo. Só tenha certeza de que ele está em temperature ambiente na hora de colocar no saco, senão vai estar duro demais.

Depois, coloque em um saco de confeitar e mande bala nos cupcakes. Se for jogar granulados por cima, faça imediatamente após colocar a cobertura nos bolinhos, porque depois de alguns minutos em contato com o ar, ela começa a “secar”. O brilho permanece – se você tiver feito a receita certinha!

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O que sobrar da cobertura (se você não comer) pode ser armazenado em um pote bem fechadinho por até uma semana na geladeira. Nunca congelei, então não sei se fica bom. Até porque ele nunca durou mais do que uma semana na geladeira: ou eu coloco em cupcakes ou eu como em colheradas todo dia depois do trabalho. #vaigordinha

Juliana Morgado

Sou uma jornalista com mais paixões do que o tempo me permite cultivar. Descobri na cozinha meu paraíso, meu refúgio depois de um dia cansativo ou estressante. É quase um vício, realmente. Não apenas cupcakes, mas qualquer coisa que eu ache interessante, desafiante ou divertido de fazer. Apesar do nome do blog, não é só de cupcakes que eu vivo. Amo fazer risotos, de todos os sabores, e simplesmente amo qualquer receita que envolva qualquer tipo de queijo.

A história do Cupcakeando

Não sei bem quando ou porquê eu comecei a me interessar por cozinhar. A lembrança mais antiga que tenho é de minha mãe me puxando para a cozinha, para me ensinar a fazer arroz branco, comum, e o molho de macarrão com tomates frescos que só ela sabe temperar.
Tudo que eu sei de cozinha aprendi de um jeito: prática. Minhas receitas são criadas da minha cabeça e implementadas dos meus testes ou então milimetricamente medidas de fontes confiáveis.
Tenho uma verdadeira paixão por cupcakes, pois acho que eles reúnem o que há de melhor na cozinha: manteiga, açúcar, fofurice, capricho e criatividade. Tudo na medida certa para uma pessoa saborear. Gosto de tentar coisas novas com esses pequenos e descobrir jeitos diferentes de decorá-los. Quando não estou fazendo nada, começo a pesquisar e estudar receitas, teorias e decorações de cupcakes. É, isso mesmo, estudar.
O blog também é uma maneira de praticar minha segunda paixão: fotografia. Sou daquelas que, enquanto passeia pelo parque, começa a achar ângulos de fotos que ficariam maravilhosas. Assim como eu estudo gastronomia e culinária, sento para ler sites e livros enormes sobre fotografia.

O gerúndio

Não fale mal dele antes de conhecê-lo melhor. Já ouvi por aí dizerem que jornalista jamais, sob nenhuma circunstância, pode usar o gerúndio. A justificativa fez sentido: “você usa o gerúndio quando não quer dar nenhuma previsão de término para sua a ação”, o que, no jornalismo, é basicamente como deixar o leitor esperando para sempre por aquela obra sanitária que o governo prometeu.
Mas foi exatamente a mesma explicação que me convenceu a usar o gerúndio para o nome do blog: eu não tenho previsão de fim para minha produção de cupcakes, jamais pretendo parar de fazê-los ou de cozinhar em geral. Se não tiver mais encomendas, será para amigos. Se meus amigos enjoarem, será para minha família. Quando minha família me dizer “CHEGA”, será para mim mesma (e talvez meu corgi. Eu tinha uma husky siberiana linda, que infelizmente se foi, mas vai estar sempre na minha memória). Porque é o que eu amo fazer e o que me deixa feliz.

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