terça, 22 de abril de 2014
Cupcakes zebrados

Hoje eu vim falar de um assunto sério com vocês. Não costumo trazer essas situações para conhecimento de vocês, mas depois de alguns episódios recentes e recorrentes, sinto que é necessário deixar algo registrado. Até porque foi por causa desses momentos que eu perdi totalmente o post de Páscoa.
Nas últimas semanas, passei por situações de plágio – de apropriação do material do blog sem minha autorização – e de total desrespeito e falta de consideração. Esses casos vieram de canais e sites de culinária que são famosos na internet, com muito mais seguidores do que o Cupcakeando. Eles usaram minhas fotos, minhas receitas e meus textos como se fossem deles, sem em momento algum pedir minha autorização ou dar os devidos créditos ao blog.
Entrei em contato com essas pessoas para que removessem o conteúdo que era meu de direito dos seus canais/sites. Eles retiraram, mas não sem antes usarem a mesma justificativa, como se fosse eu que estivesse errada, fazendo uma tempestade num copo d’água: “Peguei na internet”.
Fiquei e estou chocada até agora com essa resposta.

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Para mim, é muito claro que TUDO, absolutamente TUDO, nesse mundo tem uma autoria. Nada é criado do ar, de ninguém. Tudo teve o esforço e o trabalho de alguém, em algum momento. Vou descrever um pouco do processo criativo que dá origem aos posts do Cupcakeando.
Para produzir um post, eu levo aproximadamente 7 horas de trabalho, geralmente num domingo, que é quando eu tenho tempo fora do meu emprego comercial. Eu gasto dinheiro com ingredientes e testo diversas receitas, às vezes mais de 3, até colocar aqui uma que eu esteja satisfeita. Eu gasto, também, com material de produção de foto, porque preciso de stands de cupcakes, talheres, guardanapos, enfeites, trocinhos fofos, etc. Tudo pra que a foto seja linda, como essa aí em cima. Em seguida, eu gasto cerca de 200 cliques, no mínimo, para tirar as melhores fotos possíveis para o post, com toda a aparelhagem adquirida para que a foto seja de qualidade. Ou seja: tripé, rebatedor, caixa de foto, lentes, bateria, flash, etc. Depois, eu gasto outras 2 ou 3 horas de outro dia, que geralmente é a noite durante a semana, para escolher, editar e fazer a manutenção das fotos que vão entrar, além de escrever o post, corrigir erros gramaticais, reler 5 vezes pelo menos pra garantir que tudo está compreensível e correto.
 Então, finalmente, eu publico tudo no blog.

É um processo dispendioso, mas que me deixa feliz em cada etapa, porque é o que eu gosto de fazer. Então, para mim – e eu tenho certeza que digo isso em nome de outr@s amig@s blogueir@s de culinária pela internet que realizam o mesmo –, é muito frustrante quando encontramos nosso trabalho nas mãos de outra pessoa, sendo usado sem autorização e, muitas vezes, para lucro financeiro de outrem.
Sim, eu fiz o blog com a intenção de compartilhar receitas e ajudar as pessoas. Sou a favor do uso delas para qualquer coisa. Se não fosse pra compartilhar, eu não colocaria aqui. Porém, há uma diferença entre usar minha receita para vender cupcakes e usar minhas fotos, meu texto, meu passo-a-passo e minhas dicas no seu veículo (site ou o que for), como se fosse tudo incrivelmente original e seu.
A internet é um mundo paralelo e descontrolado. É difícil identificar pra onde vai o que você posta na rede. Porém, o que me choca é que algumas pessoas acreditem que isso é justificativa para não dar créditos para alguém, ou sequer escrever “Imagem retirada do Google”, ou algo assim. Não é difícil fazer uma busca no Google e descobrir da onde exatamente veio aquele texto ou aquela foto.
Dar créditos, mencionar de onde você tirou aquilo, não desmerece em nada o trabalho que você está fazendo. Eu SEMPRE cito de onde tirei a receita que estou fazendo no post. Quando há alterações, eu menciono isso, mas ainda assim deixo o link do original. Isso faz parte do respeito, da cordialidade, enquanto companheiros de profissão (confeiteiros e culinaristas, todos nós!) e também enquanto seres humanos. Respeite o esforço que alguém teve para produzir isso. É só isso que nós, blogueir@s, queremos.

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O cupcake de hoje é bem trabalhoso, mas achei uma graça o resultado final. Todo mundo conhece o bolo mesclado (eu já até fiz um aqui), mas esse aqui é um bolo zebrado!

Cupcakes Zebrados
Rende: 16 cupcakes
Receita da Crustabakes.

4 ovos
1 xícara (250g) de açúcar
1 xícara (250ml) de leite
1 xícara (250ml) de óleo, de canola ou girassol
2 xícaras (300g) de farinha
1 colher de chá de extrato de baunilha
1 colher de sopa de fermento
2 colheres de sopa de cacau em pó

1 – Ligue seu forno em 180˚C. Em uma tigela, bata os ovos e o açúcar até que fique pálido e fofo.
2 – Adicione o leite e o óleo aos poucos, batendo até incorporar tudo. Adicione, também, o extrato de baunilha.
3 – Em outra tigela, peneire a farinha e o fermento. Adicione, aos poucos, os ingredientes secos aos outros, batendo somente até incorporar tudo. Não bata demais para não solar o bolo e também para não fazer bolhas demais na massa, que prejudicam o efeito zebrado. No fim, a massa vai ser bem líquida, isso é normal!
4 – Divida a mistura em duas: se quiser pesar a massa toda e dividir igualmente, pode ser, mas se não tiver balança, basta separar no olho mesmo, que dá certo da mesma forma! À uma das partes, adicione o cacau peneirado e misture com uma espátula até que toda a massa esteja escura.
5 – Coloque as massas dentro de sacos ziplocs. Prepare as fôrmas de metal com as forminhas de papel por cima. Tenha um prato ao lado para apoiar os ziplocs abertos e garantir que a bagunça será a mínima possível (mas adianto que vai sujar mesmo assim).

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6 – Feche e aperte o ziploc como se fosse um saco de confeitar (girando e pressionando), e corte uma das pontas de baixo. O processo é o seguinte: rapidamente, você vai colocar um pouco de uma das massas, aproximadamente uma colher de sopa, na forminha e logo em seguida vai colocar a outra e assim por diante, até chegar aos 2/3 que geralmente enchemos as forminhas de cupcake. A melhor forma que eu encontrei é fazer uma forminha de cada vez, com as duas massas, ao invés de ir em todas com uma massa e depois voltar com a outra. Uma de cada vez faz com que o efeito zebrado seja bem mais visível. Isso também precisa ser feito com um pouco de rapidez, ou uma massa vai se espalhar demais por cima da outra e o zebrado vai virar mesclado. Se precisar de uma pausa, apoie os ziplocs no prato com a ponta cortada para cima, para a massa não vazar.
7 – Depois da correria, leve os cupcakes para assar por 15 minutos ou até que um palito inserido no centro de cada um saia limpo.

Para a cobertura, misturei dois IMBCs – um de baunilha e outro de chocolate – usando a dica de saco de confeitar sem sujeira que ensinei aqui e colocando uma cobertura por cima da outra antes de enrolar. Outra maneira é a técnica de voltinha de duas cores que também mostrei no blog.

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O cupcake fica uma graça no final, né? Acho bacana tirar das forminhas quando for servir em casa, para mostrar o zebrado ainda mais.

No mais, pessoal, amo cuidar desse blog com dedicação e qualidade. Amo receber os comentários de todos e ver as fotos de quando vocês testam tudo em casa. Amo o carinho que recebo de vocês e as palavras de incentivo. Se tem uma coisa que essas situações chatas dos últimos dias me ensinaram, é que tenho os melhores leitores do mundo. Foi graças a vocês que eu cheguei a esses casos de plágio. Leitores maravilhosos que resolveram brigar pelos meus direitos antes mesmo que eu encontrasse o problema. Fico muito grata a vocês por isso, podem ter certeza!

Dicas:
- Quanto mais escuro for o cacau que você tiver, mais bonito será o efeito zebrado.
- Se não tiver ziplocs em casa, dá pra fazer às colheradas de sopa em cada forminha, mas vai sujar bastante (pingos!) e você vai precisar ser ainda mais ágil.

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quarta, 02 de abril de 2014
Mac’n’cheese clássico

Vou contar pra vocês o mais recente drama da minha vida.
Entre minhas grandes paixões que incluem cozinhar, tirar fotos, comer um bom risoto e fazer carinho atrás da orelha do Freddie, está viajar. Eu amo viajar. Trabalho arduamente para juntar dinheiro e poder viajar confortavelmente pra qualquer destino que eu tenha vontade. E pra mim não adianta viajar dentro do Brasil: gosto de culturas diferentes, sociedades com formações distintas e com costumes exóticos.
O ano passado foi excelente para mim, mas eu estava um pouco pra baixo pensando que fazia tempo que não ia pra um lugar novo, completamente desconhecido. Aí resolvi fazer o que sempre tive vontade: abrir o mapa mundi, fechar o olho e apontar. Prometi pra mim mesma que seguiria o que quer que saísse ali, dependendo das minhas condições financeiras.
Dito e feito: meu dedo apontou pra Polônia.

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Bem, pra ser 100% honesta, primeiro apontou pro Laos, que fica na Indochina. A passagem para lá girava em torno de 5 mil reais. Fechei o olho de novo, pedi desculpas pela furada na promessa e apontei novamente. Aí deu Polônia.
Pesquisei passagens e não era nada absurdo. Fui atrás de informações sobre hospedagem e outros gastos (alimentação e transporte) e fui ficando ainda mais animada. É um país incrivelmente barato, tipo, você se mata de comer no almoço por 5 euros, o que da mais ou menos uns 20 reais. Então, fui atrás do que eu poderia visitar por lá, e comecei a encontrar coisas maravilhosas, muito além dos campos de concentração que viraram museus e das cidades reconstruídas.
Achei Zakopane, Morskie Oko, o rio Dunajec, as praças centrais de Varsóvia e Cracóvia, as cidadezinhas como Sandomierz e o castelo que é coisa de cinema, o Niedzica. Meus tipos de programas de turista alternativo. Praticamente toda a população fala inglês ou pelo menos se esforça pra ajudar os turistas, já que polonês não é bem uma língua comum. Apaixonei pelo país!
Comprei as passagens, reservei as hospedagens (pelo excelente Airbnb, que recomendo) e comecei a preparar os passeios no meu meticuloso roteiro de viagem.

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Mas, como eu disse no começo, essa é a história de um drama, porque eu tenho uma sorte incrível. Afinal, quatro meses atrás quando eu paguei absolutamente tudo dessa viagem, não havia nada demais rolando por aquelas bandas. E em apenas quatro meses, a Ucrânia, que faz fronteira com a Polônia, resolveu brigar com a Rússia, e vice-versa.
Mas é outro país, você me diria. Eu estaria bem mais tranquila se os EUA não resolvesse usar a Polônia como base para caças que ele enviou caso o probleminha na Crimeia saísse um pouco da linha. Sem contar que as proporções lá são bem diferentes. São territórios tão pequenos que da Varsóvia até Kiev, capital da Ucrânia, são apenas 9 horinhas de carro. É mais perto que Brasília-Belo Horizonte, minha gente.
É um pouco aterrorizante. Afinal, nós brasileiros somos agraciados com a completa falta de noção do que é uma guerra. Eu, na minha inocência, não vejo mal em ir, mesmo que a Ucrânia esteja na pura tensão, mas isso faz parte desse desconhecimento da proporção de uma guerra.
Não gostaria de cancelar a viagem, ou mesmo parar no meio do caminho (mesmo que o meio do caminho seja Paris), porque realmente acabei me empolgando muito com a Polônia. Até aprendi um pouco de polonês pra me virar por lá! Então, torçam por mim? :)

Mac’n’cheese clássico
Rende: 6 porções caprichadas
Receita por The Pioneer Woman Cooks, com adaptações.

4 xícaras de macarrão caracol mini
1 ovo
1 gema
4 colheres de sopa de manteiga
1/4 de xícara de farinha
2 1/2 xícaras de leite
2 colheres de chá de mostarda
450g de queijo cheddar para ralar
1/2 colher de chá de sal
1/2 colher de chá de pimenta preta em pó
1/2 colher de chá de páprica
mais queijo para salpicar por cima
farinha de pão (panko) ou farinha de rosca

1 – Cozinhe o macarrão em água fervente com sal, mas o mantenha levemente duro. Ou seja, atente-se ao tempo de cozimento: se for de 8 minutos, deixe apenas 6, se for de 6 minutos, deixe apenas 4, e por aí vai. Escorra e reserve. Bata o ovo e a gema em uma tigela e reserve. Também rale o queijo cheddar e reserve.
2 – Em uma panela grande e funda, derreta a manteiga e peneire a farinha por cima. Com um fouet, misture em fogo baixo e cozinhe por cinco minutos, sem parar de mexer. Não deixe queimar. A mistura vai ficar bem grossa.
3 – Adicione o leite, a mostarda, a páprica, a pimenta e o sal. Aumente o fogo para a chama média e continue mexendo por uns 5 minutos, até a mistura engrossar.
4 – Retire 1/4 de xícara do molho e derrame em um fio sobre os ovos, mexendo rapidamente enquanto isso. Estamos temperando os ovos para que fiquem em uma temperatura próxima ao molho e não cozinhem automaticamente quando misturados. Dessa forma, acrescente essa pequena mistura dos ovos ao molho na panela e continue mexendo.
5 – Adicione o queijo cheddar ralado e misture até derretê-lo completamente. Prove o molho e ajuste o sal e a pimenta ao seu gosto.
6 – Derrame o macarrão cozido no molho e misture por 2 minutos, envolvendo todo o macarrão. Desligue o fogo!
7 – Unte com manteiga uma fôrma ou louça que possa ir ao forno e coloque o macarrão com o molho lá dentro. Salpique com mais queijo e com a farinha de rosca (ou de pão, que fica mais gostoso), e leve para grelhar no forno pré-aquecido em 180˚C por 20 minutos, ou até que o queijo no topo esteja dourado. Sirva logo em seguida!

Massa e queijo é igual a amor culinário. Adoro Mac’n’cheese pela simplicidade da receita e o tanto que fica delicioso. Sabe outra coisa que fica divino nesse macarrão? Ervilhas. Acrescente no final do preparo e delicie-se. Ai. Acho até que vou pra cozinha fazer ele de novo.

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Dicas:
- Macarrão caracol é igual ao da foto, apesar de não dar pra ver muito bem. É um penne encaracolado! Se você não encontrar, recomendo usar o parafuso ou o penne. Não é muito bom usar espaguete ou talharim para essa receita, porque o molho escorrega deles.
- Mac’n’cheese original usa queijo cheddar, mas você pode usar qualquer queijo que derreta facilmente. Recomendo gouda, brie ou parmesão.
- O queijo cheddar tem que ser comprado em bloco e ralado na hora. Queijo cheddar processado (aquele que já vem fatiado) não serve para a receita.
- Farinha de pão tipo panko vende em mercadinhos gourmets. Também costuma ser vendida em padarias, feitas do pão do dia anterior. Se não encontrar e quiser fazer em casa, basta moer um pão velho e duro.

O que acham da Polônia? Alguém tem alguma dica legal? :)

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