quarta, 02 de abril de 2014
Mac’n'cheese clássico

Vou contar pra vocês o mais recente drama da minha vida.
Entre minhas grandes paixões que incluem cozinhar, tirar fotos, comer um bom risoto e fazer carinho atrás da orelha do Freddie, está viajar. Eu amo viajar. Trabalho arduamente para juntar dinheiro e poder viajar confortavelmente pra qualquer destino que eu tenha vontade. E pra mim não adianta viajar dentro do Brasil: gosto de culturas diferentes, sociedades com formações distintas e com costumes exóticos.
O ano passado foi excelente para mim, mas eu estava um pouco pra baixo pensando que fazia tempo que não ia pra um lugar novo, completamente desconhecido. Aí resolvi fazer o que sempre tive vontade: abrir o mapa mundi, fechar o olho e apontar. Prometi pra mim mesma que seguiria o que quer que saísse ali, dependendo das minhas condições financeiras.
Dito e feito: meu dedo apontou pra Polônia.

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Bem, pra ser 100% honesta, primeiro apontou pro Laos, que fica na Indochina. A passagem para lá girava em torno de 5 mil reais. Fechei o olho de novo, pedi desculpas pela furada na promessa e apontei novamente. Aí deu Polônia.
Pesquisei passagens e não era nada absurdo. Fui atrás de informações sobre hospedagem e outros gastos (alimentação e transporte) e fui ficando ainda mais animada. É um país incrivelmente barato, tipo, você se mata de comer no almoço por 5 euros, o que da mais ou menos uns 20 reais. Então, fui atrás do que eu poderia visitar por lá, e comecei a encontrar coisas maravilhosas, muito além dos campos de concentração que viraram museus e das cidades reconstruídas.
Achei Zakopane, Morskie Oko, o rio Dunajec, as praças centrais de Varsóvia e Cracóvia, as cidadezinhas como Sandomierz e o castelo que é coisa de cinema, o Niedzica. Meus tipos de programas de turista alternativo. Praticamente toda a população fala inglês ou pelo menos se esforça pra ajudar os turistas, já que polonês não é bem uma língua comum. Apaixonei pelo país!
Comprei as passagens, reservei as hospedagens (pelo excelente Airbnb, que recomendo) e comecei a preparar os passeios no meu meticuloso roteiro de viagem.

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Mas, como eu disse no começo, essa é a história de um drama, porque eu tenho uma sorte incrível. Afinal, quatro meses atrás quando eu paguei absolutamente tudo dessa viagem, não havia nada demais rolando por aquelas bandas. E em apenas quatro meses, a Ucrânia, que faz fronteira com a Polônia, resolveu brigar com a Rússia, e vice-versa.
Mas é outro país, você me diria. Eu estaria bem mais tranquila se os EUA não resolvesse usar a Polônia como base para caças que ele enviou caso o probleminha na Crimeia saísse um pouco da linha. Sem contar que as proporções lá são bem diferentes. São territórios tão pequenos que da Varsóvia até Kiev, capital da Ucrânia, são apenas 9 horinhas de carro. É mais perto que Brasília-Belo Horizonte, minha gente.
É um pouco aterrorizante. Afinal, nós brasileiros somos agraciados com a completa falta de noção do que é uma guerra. Eu, na minha inocência, não vejo mal em ir, mesmo que a Ucrânia esteja na pura tensão, mas isso faz parte desse desconhecimento da proporção de uma guerra.
Não gostaria de cancelar a viagem, ou mesmo parar no meio do caminho (mesmo que o meio do caminho seja Paris), porque realmente acabei me empolgando muito com a Polônia. Até aprendi um pouco de polonês pra me virar por lá! Então, torçam por mim? :)

Mac’n’cheese clássico
Rende: 6 porções caprichadas
Receita por The Pioneer Woman Cooks, com adaptações.

4 xícaras de macarrão caracol mini
1 ovo
1 gema
4 colheres de sopa de manteiga
1/4 de xícara de farinha
2 1/2 xícaras de leite
2 colheres de chá de mostarda
450g de queijo cheddar para ralar
1/2 colher de chá de sal
1/2 colher de chá de pimenta preta em pó
1/2 colher de chá de páprica
mais queijo para salpicar por cima
farinha de pão (panko) ou farinha de rosca

1 – Cozinhe o macarrão em água fervente com sal, mas o mantenha levemente duro. Ou seja, atente-se ao tempo de cozimento: se for de 8 minutos, deixe apenas 6, se for de 6 minutos, deixe apenas 4, e por aí vai. Escorra e reserve. Bata o ovo e a gema em uma tigela e reserve. Também rale o queijo cheddar e reserve.
2 – Em uma panela grande e funda, derreta a manteiga e peneire a farinha por cima. Com um fouet, misture em fogo baixo e cozinhe por cinco minutos, sem parar de mexer. Não deixe queimar. A mistura vai ficar bem grossa.
3 – Adicione o leite, a mostarda, a páprica, a pimenta e o sal. Aumente o fogo para a chama média e continue mexendo por uns 5 minutos, até a mistura engrossar.
4 – Retire 1/4 de xícara do molho e derrame em um fio sobre os ovos, mexendo rapidamente enquanto isso. Estamos temperando os ovos para que fiquem em uma temperatura próxima ao molho e não cozinhem automaticamente quando misturados. Dessa forma, acrescente essa pequena mistura dos ovos ao molho na panela e continue mexendo.
5 – Adicione o queijo cheddar ralado e misture até derretê-lo completamente. Prove o molho e ajuste o sal e a pimenta ao seu gosto.
6 – Derrame o macarrão cozido no molho e misture por 2 minutos, envolvendo todo o macarrão. Desligue o fogo!
7 – Unte com manteiga uma fôrma ou louça que possa ir ao forno e coloque o macarrão com o molho lá dentro. Salpique com mais queijo e com a farinha de rosca (ou de pão, que fica mais gostoso), e leve para grelhar no forno pré-aquecido em 180˚C por 20 minutos, ou até que o queijo no topo esteja dourado. Sirva logo em seguida!

Massa e queijo é igual a amor culinário. Adoro Mac’n'cheese pela simplicidade da receita e o tanto que fica delicioso. Sabe outra coisa que fica divino nesse macarrão? Ervilhas. Acrescente no final do preparo e delicie-se. Ai. Acho até que vou pra cozinha fazer ele de novo.

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Dicas:
- Macarrão caracol é igual ao da foto, apesar de não dar pra ver muito bem. É um penne encaracolado! Se você não encontrar, recomendo usar o parafuso ou o penne. Não é muito bom usar espaguete ou talharim para essa receita, porque o molho escorrega deles.
- Mac’n’cheese original usa queijo cheddar, mas você pode usar qualquer queijo que derreta facilmente. Recomendo gouda, brie ou parmesão.
- O queijo cheddar tem que ser comprado em bloco e ralado na hora. Queijo cheddar processado (aquele que já vem fatiado) não serve para a receita.
- Farinha de pão tipo panko vende em mercadinhos gourmets. Também costuma ser vendida em padarias, feitas do pão do dia anterior. Se não encontrar e quiser fazer em casa, basta moer um pão velho e duro.

O que acham da Polônia? Alguém tem alguma dica legal? :)

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segunda, 24 de março de 2014
Buttercream (quase) totalmente preto

Cozinha é tentativa e erro. Volta e meia eu digo isso pra vocês nos comentários quando não sou capaz de tirar alguma dúvida. A questão é que boa parte do que eu sei de cupcakes e até mesmo de confeitaria foi com base em muitos dias em pé, na cozinha, testando receitas e mais receitas que encontrava pela internet e em livros de culinária. Isso rendeu muita farinha no chão, formigas por todo o lado, buttercream entupindo a pia, massa pingando na bancada, chocolate na bochecha (como foi que ele chegou ali?) e dedos coloridos de corante. Um dia, até a façanha de estourar – sim, estourar! – um pote de vidro que tinha pertencido à minha vó eu consegui, e voou chocolate por toda a mesa. A sorte (ou milagre) é que eu tinha acabado de sair de perto pra buscar uma espátula, senão podia até ter voado vidro no meu olho.
Então, quando leio o comentário de alguém perguntando “será que dá certo se eu substituir isso por isso?” ou “posso acrescentar não-sei-o-que na massa?”, minha resposta padrão é “vai com fé”. Sério! O máximo que pode lhe acontecer é não dar certo e você ter perdido umas gramas de ingredientes. Mas pode ficar sensacionalmente bom, já pensou?!

buttercream_quase_preto
Claro que eu não recomendo o “vai com fé” se você está preparando uma encomenda para um cliente, ou para uma festa especial. O “vai com fé” serve para você, em casa de boa, fazendo um cupcake pra família. Depois de testar e ter certeza que a ideia dá certo, aí sim parta para aplicar em encomendas e outras coisas importantes.
Essa cobertura foi descoberta em um dia de testes, como os vários que já tive. Eu precisava de uma cobertura completamente preta para desenhar faces do Jack em cima de cupcakes, pro aniversário de uma amiga que ama o personagem. Testei umas três receitas diferentes até encontrar essa, que era a mais preta que eu consegui chegar.
Ela não é 100% preta, mas eu diria que ela é uns 89% preta, o que já é muito! E o melhor: feita com nutella, o que deixa MUITO saboroso. Pela quantidade de corante, eu não gostei de usá-la como única cobertura de um cupcake. Se usar, é melhor comer um só!

Buttercream (quase) totalmente preto
Receita por 52 Kitchen Adventures.
Rende: voltinha simples para 12 cupcakes

1/2 xícara (115g) de manteiga
1 xícara de nutella
1 xícara de açúcar impalpável
1 colher de chá de leite
1 colher de chá de corante preto em gel de boa qualidade

1 – Em uma batedeira, bata a manteiga até ficar bem lisa. Ela deve estar em temperatura ambiente! Em seguida, acrescente a nutella e bata até incorporar bem.
2 – Acrescente o açúcar e bata novamente, até incorporar tudo. Comece na velocidade baixa para que ele não espirre por toda a sua cozinha, como talvez pode ter acontecido comigo…
3 – Adicione o leite e o corante. Bata até que tudo esteja bem uniforme. Se achar que precisa de mais cor, adicione mais corante, de 1/2 em 1/2 colher de chá, mas lembre que depois de certo ponto o corante não faz mais tanto efeito, não importando o quanto você use. Se quiser a cobertura mais firme, adicione mais açúcar, aos poucos. Cuidado para não ficar muito doce!

buttercream_quase_preto2
Ela segura muito bem uma voltinha, mas acho que ficaria muito mais bonita se fosse um detalhe na cobertura, como uma flor em cima da voltinha, ou algo assim. Fica delicado!

Quantos testes malucos você já fez na cozinha? Conte um causo!

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