quarta, 24 de agosto de 2016

Cupcakes de torta de Bis

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Minha vó materna foi uma figura muito importante na minha vida. Ela ajudou minha mãe a me criar durante parte da minha infância e, basicamente, me ensinou grande parte do que eu entendo como amor em família. Minha vó era meu exemplo.
Entre as pequenas coisas que eu guardo na memória sobre ela – aquelas situações comuns vividas no dia a dia, que insistem em às vezes passar como se fossem filme em nossa mente –, eu me lembro de uma com exatidão.

Foto do cupcake de torta de bis
Era uma tarde quente, como são todas em Nilópolis, Rio de Janeiro, e o lanche da tarde devia estar prestes a sair na casa da minha vó. Minha mãe e minha vó estavam sentadas nas cadeiras da mesa minúscula da cozinha que cabia exatas três pessoas apertadas. A cozinha ficava na parte dos fundos da casa pequena e simples que minha vó vivia. Enquanto isso, uma de minhas tias lavava parte da louça. Havia um diálogo emotivo sobre qualquer pequena coisa que faltava resolver no lugar – qualquer fato besta que nós sempre transformávamos em algo maior do que deveria. Meu primo voltava com pão francês a pedido da família.
Minha vó puxava o copo (é, café no copo de vidro mesmo) para perto de si. Tirava uma lasca do pão e molhava no líquido negro. Deixava uns pingos caírem de volta e comia. Encerra a imagem na minha mente.

Foto do cupcake de torta de bis

Foto do cupcake de torta de bis
No entanto, não sai esse cheiro da minha mente. A lembrança ficou armazenada no meu nariz. Toda vez que me lembro dessa cena, imediatamente sinto o cheiro de pão molhado no café quente. Um cheiro singular, único pra mim, e que não consigo não associar imediatamente com a imagem da minha vózinha.
Um amigo, quando lhe contei que gostava de pão molhado no café, achou um pouco nojentinho. E eu nunca tinha parado para avaliar de que maneiras esse hábito poderia ser estranho, porque pra mim sempre foi algo muito, muito normal. Afinal, minha vó fazia. Depois do comentário dele, eu parei para pensar que, realmente, não faz muito sentido comer pão molhado no café.

Foto do cupcake de torta de bis
Mas a nossa memória afetiva é mais forte do que a lógica, em alguns momentos. Em tempos de dieta, eu evito pão e café, só periodicamente. Só que sempre que tenho essa imagem, e esse cheiro no nariz, eu fico com vontade de correr pra casa da mamãe atrás de pão francês e café quente. Sei que por lá sempre tem. Lá tem um pouquinho da minha vó, na minha mãe.

Cupcakes de torta de Bis
Rende: 14 cupcakes
Receita dos confins da internet, mais de 10 anos atrás. Infelizmente não acho mais o autor, pra poder dar um beijo forte nele.

1ª camada

1 lata ou caixinha de leite condensado
285ml de leite (ou 1 medida da lata de leite condensado)
3 gemas
1 colher de chá de extrato de baunilha

2ª camada
1 xícara (237ml) de leite
3/4 xícara de chocolate em pó (ou 1/2 xícara de cacau + 6 colheres de sopa (70g) de açúcar)
Bis, muito bis

3ª camada
3 claras
4 colheres de sopa de açúcar
1 caixa de creme de leite
Mais Bis

1 – Faça cada camada de uma vez. Deixe a primeira e a segunda prontas para montar os cupcakes, e só depois de montados prepare a terceira, para não perder o ar incorporado nela.
2 – Comece batendo todos os ingredientes, menos a baunilha, da primeira camada no liquidificador, ou em uma batedeira. Leve a mistura ao fogo em uma panela, mexendo como se fosse um brigadeiro até engrossar. O ponto certo é quando a mistura cobre a espátula. Retire do fogo e acrescente a baunilha, misturando bem. Reserve.
3 – Para a segunda camada, basta misturar tudo em uma panela e também levar ao fogo até ferver. Espere ela esfriar antes de montar.
4 – Para montar, coloque as forminhas de papel na fôrma de metal. Despeje uma ou duas colheres de sopa do creme da primeira camada em cada forminha. Dê umas batidinhas com a fôrma na bancada para que o creme se nivele. Depois, cubra com uma colher de sopa da calda de chocolate da segunda camada, garantindo que ela está cobrindo toda a superfície do creme.
5 – Quebre vários Bis em cima dessa camada. Pode caprichar, seja feliz. Bis é vida.
6 – Leve a fôrma para a geladeira enquanto você prepara a terceira camada: bata as claras com o açúcar até o ponto de neve. Depois, acrescente o creme de leite e misture com uma espátula, fazendo movimentos envolventes e tomando cuidado para não desinflar tudo.
7 – Quando estiver bem misturado, retire a fôrma da geladeira e cubra cada cupcake com uma ou duas colheres de sopa da terceira camada. Nivele como puder e decore com mais Bis quebradinho. Leve para gelar no congelador por pelo menos 2h, para que tudo fique bem firme. Depois coma uns 4 ou 5 seguidos, como eu fiz.

Essa receita é minha xodó de caderninhos de receitas. Eu a encontrei nos confins da internet, há muitos anos atrás, em um blog que tinha muitos gifs animados e coloridos. Lembram desses? Tentei localizá-lo novamente mas não encontrei. Embora tenha achado receitas semelhantes em outros, eu não coloquei o link para elas porque não eram a original maravilhosa que eu encontrei por aí.
Que bom que anotei essa receita no papel. Ela é a favorita do meu melhor amigo, então a guardo para fazer em ocasiões especiais que o envolvam.

Foto do cupcake de torta de bis
Como podem ver, ela não tem muita regra – coloque uma ou duas colheres de sopa, ou mais, ou menos, você que manda! – e é claro que ela era de torta de travessa. Mas eu tomei a liberdade poética de testar em uma fôrma de cupcake, com os papéis, e deu muito certo! Ou você também pode fazer em forminhas de silicone, também testei nessas e ficou show.
Claro que esse cupcake tem que ficar no congelador antes de servir. E assim que servido, o ideal é que seja consumido em no máximo 15 minutos, porque os cremes começam a derreter e, pessoalmente, a graça dele é estar bem geladinho entre camadas. Tenha foco na comida e coma rápido (para poder comer mais)!

O que vocês têm como memória afetiva e alimentícia?

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terça, 16 de agosto de 2016

O que eu vi por aí – Links legais

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– O que dizer dessa compilação de lugares legais pra conhecer pertinho de Brasília, que mal conheço e já considero paca? Fica aí o tapa na cara pra gente que acha que não tem nada de maneiro no estado de Goiás ou pelas redondezas. Tem sim, é só procurar!

– Fica uma dica pra quem, como eu, tá sempre irritado porque quer aquela foto maravilhosa de uma paisagem ou ponto turístico e não pára de aparecer gente na frente. Eu AMEI conhecer essa técnica do Photoshop e vou testar assim que possível.

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– Volta e meia sobra uma ou duas bananas aqui, porque eu gosto mesmo delas quando estão semiverdinhas, sabem? Então quando já ficam mais maduras, eu evito e então elas começam a escurecer demais. Bem, na política de “nada se perde, tudo se transforma” do post anterior, decidi transformar bananas em sorvete. Como nessa receita simples, prática e ultra mega rápida de “sorvete” de banana com cacau. E ainda conta na minha dieta! Só vi vantagens.

– Olha, eu estou viciadíssima em Stranger Things desde que terminei de assistir. Acho difícil alguém não ficar no hype depois do último episódio. É uma série foda demais. Fiz até uma resenha sobre ela lá no blog do meu migo Vinícius, pra quem quiser dar uma lida. Mas assim né, gente, tem umas teorias que estão rondando a internet que são meio loucas demais. Essa aqui por exemplo. Aviso! Só clique e leia quando terminar a série toda! Spoilers a dar com o pau!

Juliana Morgado

Sou uma jornalista com mais paixões do que o tempo me permite cultivar. Descobri na cozinha meu paraíso, meu refúgio depois de um dia cansativo ou estressante. É quase um vício, realmente. Não apenas cupcakes, mas qualquer coisa que eu ache interessante, desafiante ou divertido de fazer. Apesar do nome do blog, não é só de cupcakes que eu vivo. Amo fazer risotos, de todos os sabores, e simplesmente amo qualquer receita que envolva qualquer tipo de queijo.

A história do Cupcakeando

Não sei bem quando ou porquê eu comecei a me interessar por cozinhar. A lembrança mais antiga que tenho é de minha mãe me puxando para a cozinha, para me ensinar a fazer arroz branco, comum, e o molho de macarrão com tomates frescos que só ela sabe temperar.
Tudo que eu sei de cozinha aprendi de um jeito: prática. Minhas receitas são criadas da minha cabeça e implementadas dos meus testes ou então milimetricamente medidas de fontes confiáveis.
Tenho uma verdadeira paixão por cupcakes, pois acho que eles reúnem o que há de melhor na cozinha: manteiga, açúcar, fofurice, capricho e criatividade. Tudo na medida certa para uma pessoa saborear. Gosto de tentar coisas novas com esses pequenos e descobrir jeitos diferentes de decorá-los. Quando não estou fazendo nada, começo a pesquisar e estudar receitas, teorias e decorações de cupcakes. É, isso mesmo, estudar.
O blog também é uma maneira de praticar minha segunda paixão: fotografia. Sou daquelas que, enquanto passeia pelo parque, começa a achar ângulos de fotos que ficariam maravilhosas. Assim como eu estudo gastronomia e culinária, sento para ler sites e livros enormes sobre fotografia.

O gerúndio

Não fale mal dele antes de conhecê-lo melhor. Já ouvi por aí dizerem que jornalista jamais, sob nenhuma circunstância, pode usar o gerúndio. A justificativa fez sentido: “você usa o gerúndio quando não quer dar nenhuma previsão de término para sua a ação”, o que, no jornalismo, é basicamente como deixar o leitor esperando para sempre por aquela obra sanitária que o governo prometeu.
Mas foi exatamente a mesma explicação que me convenceu a usar o gerúndio para o nome do blog: eu não tenho previsão de fim para minha produção de cupcakes, jamais pretendo parar de fazê-los ou de cozinhar em geral. Se não tiver mais encomendas, será para amigos. Se meus amigos enjoarem, será para minha família. Quando minha família me dizer “CHEGA”, será para mim mesma (e talvez meu corgi. Eu tinha uma husky siberiana linda, que infelizmente se foi, mas vai estar sempre na minha memória). Porque é o que eu amo fazer e o que me deixa feliz.

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